A luz de Lisboa é única. O sol brilha intensamente mesmo nos meses de inverno. Os seus raios tocam todas as esquinas das suas ruas. Exaltam os fantásticos perfis das suas lojas e oficinas antigas, o cenário imutável da cidade ao longo dos séculos. A mesma luz que parece irradiar das pessoas que nela trabalham: homens e mulheres acolhedores, de sorriso no rosto, que amam a sua terra e a sua história.
Animatógrafo do Rossio
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Os picos da Art Nouveau

Um triunfo Art Nouveau de flores, vegetais e mulheres com longos cabelos esvoaçantes, a fachada do Animatógrafo do Rossio irá fazê-lo parar em admiração. Quando abriu as suas portas em 1907, era um salão de cinema com capacidade para 100 pessoas. Os dois painéis de azulejo representando duas mulheres, de ambos os lados da bilheteira, são especialmente bonitos. Ao longo do tempo, o local passou por várias transformações, exibindo espetáculos de variedades e peças de teatro infantil. Atualmente, exibe espetáculos eróticos (peep show).
Barbearia Campos - Cabelleireiro
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A barbearia dos reis - e de qualquer um

Artistas e escritores, políticos e jornalistas escolheram-na como a sua barbearia favorita, ou Cabelleireiro, como se lê no magnífico letreiro deste espaço no Chiado. A sua elegância é tal que até os reis exilados Humberto II de Itália e Carlos II da Roménia aqui vinham tratar das suas barbas e cabelos. Fundada em 1886 por José Augusto de Campos, a casa continua na mesma morada e nas mãos da mesma família, o que provavelmente faz desta a mais antiga barbearia em funcionamento da Europa. Até mesmo o recheio, os tetos ricamente decorados e o magnífico lavatório em mármore de Carrara branco e rosa permanecem inalterados.
Livraria Sá da Costa
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A casa dos amantes dos livros

Este é o tipo de livraria em que podemos encontrar estudantes sentados no chão a ler um livro, ou bibliófilos que passam horas em comunhão com os livros – diz-se que até o Presidente da República passa por aqui. A chave para esta diversidade, diz Pedro, gerente da loja, é “a arte portuguesa de bem receber as pessoas”. Do lado de fora, sente-se que este é um lugar especial, numa rua do Chiado, no centro da cidade. Por cima da entrada encontra-se o ex libris da livraria, com a sua divisa “instruere:construere” (educar é construir). As letras Art Deco emolduram as duas grandes montras, soletrando “Livros nacionais” e “Livros estrangeiros”. Dentro, encontramos um riquíssimo espólio de manuscritos, incunábulos e livros fora de catálogo, entre milhares de livros modernos. Esta variedade de recursos é fruto de uma acumulação que teve início com a abertura da loja, em 1913. Além do seu papel de venda de livros, a Sá da Costa contribuiu para a cultura do país com a publicação de uma coleção de clássicos da literatura nacional. Hoje em dia, acolhe todo o tipo de eventos, e participa no Artfest Lisboa.
Retrosaria Bijou
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Um lugar mágico para as pequenas coisas

Ao longo de mais de um século de história, os lisboetas têm vindo a construir uma profunda ligação com esta retrosaria. Para lá da sua aprumada fachada Art Nouveau, ano após ano, aqui encontram os melhores botões, laços, bordados, fitas, linhas, fechos e até joalharia. O interior desta loja na Baixa Pombalina permanece tal como era à data da sua fundação em 1915, o que confere um charme encantador à experiência de compra. José Vilar de Almeida, neto do fundador Augusto de Almeida, acredita que o local foi declarado pela Câmara Municipal de Lisboa como loja histórica não só graças ao design de bom gosto, mas também pela sua atmosfera intangível - um lugar mágico onde encontrar pequenas peças que servem para fazer coisas bonitas.
Camisaria Pitta
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Aqui vendem-se suspensórios para homem

O bairro lisboeta de Santa Maria Maior tem dado lugar a lojas turísticas, mas ainda existe um representante da velha Lisboa que se mantém firme. A Camisaria Pitta, um negócio de condução familiar com 130 anos, é provavelmente o único sítio em Portugal onde se podem comprar artigos como suspensórios para homem, afirma o senhor Alfredo, o proprietário. Aqui, um homem pode encontrar tudo o que precisa para andar sempre elegante, das meias ao chapéu. Mas a sua especialidade são as camisas. A madeira trabalhada que caracteriza a decoração da loja cria uma sensação de profissionalismo - “um espaço acolhedor que oferece privacidade no atelier do alfaiate aos seus clientes”, explica Alfredo. Vencedora de vários prémios, a loja conta com participações especiais em filmes como “Comboio Noturno para Lisboa”. Mas Alfredo diz que sente que atualmente a loja é como uma ilha solitária no meio do bairro. “Gostaríamos de ver mais lojas tradicionais à nossa volta, para que os clientes tivessem mais motivos para fazer compras nesta rua”, lamenta.
Sapataria e Chapeleria Lord
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Uma loja especializada em estilo Art Deco

Os visitantes são imediatamente atraídos pela fachada em tons de preto e cobre desta chapelaria e sapataria na Rua Augusta, uma das principais artérias da Baixa Pombalina. Os motivos Art Deco relembram as formas dos barcos no rio mesmo ali ao lado: a porta de entrada, as letras de ferro pintado do letreiro, os tetos ondulados e os balcões. Fornecedor de chapéus, bolsas e luvas feitos à mão, a loja tem sido um bastião da qualidade desde a sua fundação, em 1940. Em 1955, o jovem Mário da Silva começou a trabalhar aqui - sonhando com o dia em que a loja seria sua. Demorou quase 40 anos, mas esse sonho tornou-se finalmente realidade. Agora, os seus descendentes querem “manter vivo o seu sonho”, diz a filha Ana. O grande elemento distintivo da loja, e o motivo do seu sucesso, é o atendimento personalizado. “Temos orgulho em continuar esta tradição”, afirma Ana.
 
Video credit Fabio Tabacchi

Casa das Águas
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De moda em moda

Este local tem primado pela diferença desde que abriu, em 1907. Nessa altura, vendia... copos de água! As pessoas entravam aqui para beber todo o tipo de águas termais: sulfurosas, carbonatadas, iodadas, ferruginosas... Havia uma água para cada doença. Após estes tempos gloriosos, a loja deu uma volta de 180 graus no que diz respeito à saúde e começou a vender tabaco, tendo depois caído no esquecimento até que, há dez anos, um apaixonado pelo vintage a transformou novamente em algo especial. Agora, quando os olhos se habituam a esta minúscula loja escura, descobrimos uma maravilhosa panóplia de candeeiros de formas estranhas, caixas vintage, postais antigos, matrículas, azulejos, bandeiras e discos de vinil, entre outras curiosidades.
Livraria Bertrand
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A mais antiga livraria do mundo

“Fazemos parte da vida cultural de Lisboa há tanto tempo que acreditamos que a nossa história é uma parte da história da cidade, e da história dos livros em Portugal”, diz Paulo, gerente da livraria Bertrand. A fachada de azulejos azuis desta veneranda loja é típica do Chiado, um bairro no coração da capital portuguesa. Mas a importância deste local vai além-fronteiras: a Bertrand é a mais antiga livraria do mundo ainda em funcionamento, uma distinção que atrai hordas de turistas todos os anos. Fundada em 1732 por um nobre francês chamado Pedro Faure, passou para as mãos dos irmãos Bertrand após a sua morte. Em quase três séculos, a livraria assistiu a grandes eventos, incluindo um terramoto e duas guerras civis. Mas o maior motivo de orgulho para Paulo é a sua contribuição para a cultura portuguesa. Aqui trabalhou José Fontana, um dos fundadores do Partido Socialista, que cometeu suicídio entre as suas paredes. O escritor Aquilino Ribeiro gostava tanto da livraria que tinha uma sala especial só para si. Hoje em dia, a Bertrand é a principal referência de uma rede internacional de livrarias, com um papel que “vai muito além da simples venda de livros”, diz Paulo. Acolhe um programa cultural rico, incluindo a tertúlia mensal Ler no Chiado, e ainda vende o seu famoso baralho de cartas (com caricaturas de escritores) e o mítico almanaque literário, já com 76 anos.
Joalharia Do Carmo
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História escrita a ouro

A história de uma cidade pode ser contada através da história do ouro que por ela passou. Desde a sua abertura em 1924, a Joalharia do Carmo tem sido participante ativa dessa história. Realizou dezenas de peças em ouro para o batismo de navios. Durante a II Guerra Mundial, muitos judeus que fugiam da Europa venderam aqui o seu ouro para pagar pela fuga. “Isso foi uma lição para mim: compreendi que, em tempos de guerra e turbulência, os bens mais valiosos são o ouro, as moedas e as pedras preciosas, porque o dinheiro perde o seu valor”, afirma Alfredo, sobrinho de um dos fundadores, proprietário atual da loja. As fotografias penduradas nas janelas da loja ilustram alguns momentos chave da sua história. Mostram também que nada mudou na fachada e recheio da loja ao longo dos seus 55 anos. “O atendimento ao cliente também é o mesmo”, acrescenta Alfredo. Apesar de a Joalharia do Carmo ainda manter o seu compromisso com os produtos portugueses, como a filigrana de ouro, adaptou-se ao turismo com produtos como bonitas miniaturas dos elétricos da cidade para pendurar em fios e pulseiras.
Casa Buttuller
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Uniformes e artigos de guerra

Os uniformes podem contar mais histórias do que qualquer outra peça de vestuário. Por isso, muitos visitantes regulares da loja de artigos militares Casa Buttuller são mais amigos do que clientes. “Contam-me histórias da Guerra do Ultramar e por vezes vejo-os chorar”, diz Maria, a gerente da loja. “Outros clientes trazem os netos para lhes mostrar onde compraram o seu primeiro uniforme e alguns estrangeiros voltam de vez em quando, com um presente para nós”, revela. Várias figuras públicas foram servidas pela loja, em Portugal e além-fronteiras: numa parede encontra-se emoldurada uma carta enviada pelo Palácio de Buckingham em 1982, em sinal de gratidão por um trabalho feito para a rainha. A loja abriu em 1847 como chapelaria e sapataria, mas durante a I Guerra Mundial dedicou-se aos uniformes, emblemas metálicos e de tecido, coldres, cantis, bandeiras e outras decorações. O proprietário partiu para Paris, confiando a gestão a Maria, que a gere como se fosse sua, porque “significa muito para mim”, afirma.
Luvaria Ulisses
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Por amor às luvas

A fachada neoclássica construída em 1923 e o interior decorado com mobiliário estilo Império tornam esta loja quase num templo. E, na verdade, é uma espécie de santuário: trata-se da última loja em Portugal dedicada exclusivamente a luvas. Pelas suas portas, abertas desde 1925 no Chiado, passou a nata da sociedade portuguesa à procura do par de luvas ideal para qualquer ocasião. “Temos uma grande variedade de modelos, pelo que é difícil destacar um: mas o que realmente me enche de orgulho é a nossa capacidade de satisfazer pedidos personalizados, por muito especiais que possam ser”, afirma o coproprietário Carlos Carvalho.
Tous - Ourivesaria Alianca
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A Versalhes portuguesa

As cabeças de leão esculpidas, os medalhões e os elementos florais da fachada desta joalharia justificam o seu nome popular: a Versalhes portuguesa. Assim que entramos, encontramos outro elemento distintivo: a esplêndida pintura de Artur Alves Cardoso que surge entre outras decorações do fabuloso teto. Este espaço foi magnificamente decorado em 1914, 11 anos após a sua abertura, em 1903. A sua riqueza sempre encontrou rival na das joias que vendia, tendo recebido numerosos prémios nacionais e internacionais de joalharia. Em 2012, a sua distinta história esteve à beira de conhecer um fim, mas a Tous adquiriu o espaço e restaurou-o, mantendo os detalhes originais e devolvendo-lhe o seu estatuto como uma das maiores lojas de Portugal.
Au Petit Peintre
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O jardim do artista

“O jardim da minha vida”: é assim que José Manuel Fragueiro Dominguez define a sua loja no centro de Lisboa. “Tudo tem a sua beleza”, diz sobre os produtos que vende: artigos de papelaria, tintas, carimbos, canetas e todo o tipo de molduras. José e a esposa, Maria do Céu Inácio Martins Manuel, dão tudo a este pequeno recanto de artigos de escrita e artes plásticas no centro da cidade. A loja foi fundada há mais de um século, em 1909, por António Franco, um familiar do padrinho de José, de quem este herdou o negócio. As letras douradas em estilo Art Nouveau do letreiro têm funcionado ao longo do tempo como um farol para a vida artística de Lisboa, incluindo alguns dos maiores pintores portugueses: Carlos Reis, António Silva, José Malhoa, Mestre Medida, Alfredo de Morais e Real Bordalo, entre outros. Enquanto centro da cultura artística em Portugal, a loja viveu o seu apogeu nos anos 20, quando editou o Jornal da Mulher, uma revista feminina com muitos colaboradores importantes.
Ginjinha Sem Rival
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A essência líquida de Lisboa

Nuno Gonçalves senta-se na primeira fila da sociedade lisboeta. “Do primeiro-ministro ao sem-abrigo, todos já beberam um licor na nossa loja: ela significa autenticidade, antiguidade, emoção, exclusividade e, acima de tudo, Lisboa, Lisboa e Lisboa”, afirma. A loja é pequena mas bem fornecida. Os lisboetas tratam-na afetuosamente por “Ginjinha das Portas de Santo Antão”, como o nome da rua antiga onde se encontra. Ginjinha refere-se aos dois tipos de licores de ginja que aqui são vendidos entre símbolos maçónicos. O bisavô de Nuno, que abriu a loja em 1890, era um membro da maçonaria. Desde aí, estes licores tornaram-se um símbolo de Lisboa. Especialmente o “Eduardinho”, cujo nome deriva de um palhaço espanhol amigo do fundador, que o bebia antes de atuar no Coliseu dos Recreios.
Manteigaria A Minhota
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A cápsula do tempo de Lisboa

SSe estiver disposto a sair dos percursos mais turísticos para descobrir o outro lado da verdadeira Lisboa, vá até à Rua de São José, uma rua estreita com janelas tapadas por cortinas. Não há como não ver o encantador painel de azulejos que representa uma minhota vestida com os trajes tradicionais, com o lenço na cabeça e uma vaca ao lado. A manteigaria abriu aqui as suas portas em 1917, e pouco mudou desde então: é uma charmosa cápsula do tempo para uma era mais simples e compassada. Os clientes são na maioria homens de idade, que bebem o seu café enquanto leem o jornal. Mas o proprietário não acha que precisa de muita modernização, sabendo que os mais jovens começam a descobrir os prazeres vintage deste café.
Pequeno Jardim
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: Um jardim num vão de escada

A histórica florista, situada num edifício de meados do século XIX com um letreiro dourado e a transbordar de flores e plantas, foi registada pela primeira vez em 1922, mas a sua história enquanto oásis urbano é bem mais antiga. O que distingue o Pequeno Jardim é precisamente o facto de se encontrar no vão de escada de um edifício. A loja acabou por passar para as mãos de Virgílio Madeira Gante, que nela trabalhou dos 8 aos 80 anos, entregando-a depois à atual proprietária, Elisabete Monteiro, em 2003. “Desde o primeiro dia, abracei este projeto com todo o meu amor, porque sabia que era um espaço que merece respeito, pela sua história e longevidade”, conta. A loja surgiu em muitas reportagens televisivas, filmes e publicidades. Mas, para Elisabete, o mais importante são as flores frescas e secas, as plantas e os artigos decorativos com o nome da florista.
Casa Macário
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Dois pilares: café e vinho do Porto

“Temos clientes de terceira geração: os avós compravam café aqui, e os netos continuam a comprar café na Casa Macário. Alguns clientes até têm a sua mistura de café pessoal”, revela Luis Torres, cuja família é proprietária da loja desde 1974. As origens da loja remontam há quase um século, quando Macário Moraes Ferreira começou a vender o café que produzia em Angola. Ao longo das décadas, o barril em que o café era vendido na loja esteve ao centro de muitos eventos históricos da cidade. Foi aqui que, por exemplo, o antigo Presidente Mário Soares recebeu notícias sobre o seu pai, que tinha sido preso pelo regime político no poder na altura. Atualmente, além do café, a Casa Macário também vende vinhos, licores, whiskeys, bem como chocolates, compotas e chás. O vinho do Porto representa mais de metade das suas vendas. Luis tem garrafas com mais de um século e um sonho secreto: tornar-se na “casa do vinho do Porto” oficial em Lisboa.
Hospital de Bonecas
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O último recurso das bonecas

Em 1830, Lisboa ainda estava a recuperar do terrível terramoto de 1755. No local onde se situava o Hospital de Todos os Santos antes da sua derrocada, abriu nesse ano um hospital diferente, mais pequeno. Os pacientes não eram humanos, mas bonecas. Desde aí, recorda Manuela, diretora do hospital, “curamos as doenças das nossas bonecas e as saudades dos nossos clientes”. Nesta curiosa loja-museu de bonecas, ainda é possível ver inscrições e túmulos do hospital antes do terramoto. “O destino transformou um lugar de dor e morte num outro, onde as lágrimas são apenas as que nos vêm aos olhos ao lembrarmos a nossa infância”, diz Manuela, uma médica com alma de poeta. Além de tratar bonecas feridas, a loja também vende bonecas novas com trajes tradicionais portugueses, bem como animais de peluche e brinquedos mecânicos, entre outros. Naturalmente, o Hospital de Bonecas tem também sido cenário para peças de teatro, filmes, gravações e até desfiles de moda.
Soares e Rebelo
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O paraíso dos vegetais

Quer plantar os ingredientes para fazer uma bela sopa? Aqui pode encontrar sementes de produtos locais, de nabos a tomates, rabanetes, cebolas, couves, feijões e ervilhas. E a lista continua. Na Soares e Rebelo também irá encontrar as ferramentas, os livros e os fertilizantes de que precisa para o seu jardim urbano. A fachada de madeira verde está decorada com uma antiga publicidade da marca da casa: Hortelão. A loja abriu em 1935 na Praça da Figueira, onde antigamente se realizava um mercado onde os camponeses vendiam os seus produtos. Os fundadores viram que eles podiam também comprar algo: sementes para os seus campos. A ideia mantém-se: as prateleiras da loja estão recheadas de sacos de sementes. Mas a Soares e Rebelo não ficou presa ao passado: uma potência online no seu segmento, a loja fornece sementes para clientes em todo o mundo.
Confeitaria Nacional
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Seis gerações de doces

Os medalhões na fachada da Confeitaria Nacional, conquistados em exposições internacionais em Filadélfia, Viena e Paris, são a menor das honras obtidas por esta pastelaria e bar de Lisboa fundada em 1829. Atualmente gerida pela sexta geração da família fundadora, a Confeitaria tornou-se fornecedora da família real portuguesa em 1873. Atualmente, fornece o escritório do presidente. A sua especialidade é o bolo-rei, uma receita que tem origem no francês “Gâteau des Rois”, vendido apenas entre novembro e março. Uma nota histórica: a Confeitaria Nacional atraiu tantos clientes importantes que se tornou no primeiro sítio a ter telefones em Lisboa.
Café A Brasileira
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Café e cultura

O café brasileiro, atualmente considerado um dos melhores do mundo, não tinha muitos fãs no início do século XX. Em 1905, um português que tinha vivido e cultivado café no Brasil regressou a Lisboa e abriu A Brasileira, na esperança de mudar as opiniões sobre a bebida. O café ganhou então seguidores. Mas, mais importante, A Brasileira tornou-se num ponto de encontro de artistas e intelectuais após a implantação da República em Portugal em 1910 e a instauração do direito à livre associação. A Revista Orpheu, ícone cultural, foi aqui concebida. Em 1925, 11 quadros de sete artistas de nova geração foram expostos no café, numa declaração de apoio ao estilo moderno. Em 1971, foram exibidos mais 11 quadros de artistas contemporâneos, validando o novo mais uma vez. O escritor Fernando Pessoa frequentava o espaço tão assiduamente que a sua presença foi imortalizada com uma estátua em bronze.
De Sousa & Silva
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Il primo venditore di francobolli di Lisbona

Il primo negozio a vendere francobolli in Portogallo oggi si riconosce per la sua raffinata facciata in legno. Aperto nel 1819 nel centro di Lisbona, passò dalle mani della famiglia fondatrice ad altre mani. Oggi vi si vendono una gamma di articoli di produzione nazionale, tra cui borse, pelletteria, biglietti da visita, e anche i trofei. Fernanda Igrejas, responsabile del negozio, è particolarmente orgogliosa per i suoi prodotti in sughero, un materiale tipicamente portoghese che può essere lavorato per produrre oggetti caratteristici.
Chapelaria Azevedo Rua
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Um chapéu para qualquer cabeça

Se quiser sentir um pouco da enigmática e hipnótica Lisboa de Fernando Pessoa, experimente colocar o clássico chapéu de feltro que o escritor usa em quase todas as suas imagens. O sítio certo para encontrar um é na Chapelaria Azevedo Rua, no Rossio. A própria história da loja é bastante literária. Em 1886, um produtor de vinho do Porto chamado Manuel Aquino de Azevedo Rua estava à beira da bancarrota devido a uma praga de filoxera. Decidiu pedir dinheiro emprestado a um tio padre para abrir uma chapelaria em Lisboa, em troca de descontos substanciais aos membros do clero. Mais tarde, a chapelaria especializou-se na criação de chapéus para as peças de teatro em cena no D. Maria II e em tricórnios para toureiros. Alguns modelos não sofreram alterações desde 1886; outros são feitos à medida de acordo com as especificações dos clientes. “Tentamos sempre encontrar um chapéu para qualquer cabeça”, afirma Pedro.
Casa dos Ovos Moles de Aveiro
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Ovos moles e doces conventuais

Os ovos moles de Aveiro são uma das 10 coisas que fazem com que a visita a Portugal valha a pena, de acordo com um inquérito feito aos próprios portugueses. São uma iguaria feita de gema de ovo e açúcar. Em 2013, Filipa Cordeiro e Maria Dagnino trabalharam com a Associação de Produtores de Ovos Moles para abrir uma loja em Lisboa que representasse este doce português. “O nosso projeto quer apresentar a arte portuguesa de bem-fazer”, explica. Além dos ovos moles, vendem também uma vasta gama de doces conventuais: doces tradicionais feitos nos conventos com açúcar e gema de ovo há mais de cinco séculos.
Teatro Tivoli BBVA
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O palco da sociedade

Sob a cúpula preta e por trás da fachada neoclássica do Teatro Tivoli na Avenida da Liberdade em Lisboa, foram selados muitos acordos comerciais e foram tomadas muitas decisões políticas. O teatro, construído em 1924, tornou-se cedo um ponto de encontro para as classes mais abastadas, as únicas que se podiam dar ao luxo de pagar o preço dos bilhetes. Quando foi inaugurado, o edifício do arquiteto Raúl Lino era o teatro mais moderno da cidade. Decorado em estilo Luís XIV, o espaço, com capacidade para 1.114 espetadores, foi também preparado para a passagem do cinema mudo ao falado. No auge da sua popularidade, manteve uma companhia residente e as suas festas de Carnaval e de Passagem de Ano eram obrigatórias para as pessoas mais in da cidade. No entanto, nas últimas décadas do século XX, sofreu um declínio e parecia estar destinado a transformar-se num hotel ou a ser demolido. Em 2012, a companhia de produção teatral UAU comprou-o e renovou-o, restaurando a missão original do edifício.
Pastéis de Belém
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Do início humilde a símbolo nacional

Os pequenos pastéis de Belém são provavelmente o mais famoso exemplo da pastelaria portuguesa. O local de nascimento deste bolo continua no mesmo sítio desde 1834, na Rua de Belém, por trás de uma magnífica fachada de azulejos originais. E ainda produz os pastéis de forma artesanal (embora em grandes quantidades para suprir a procura), graças aos seus 170 empregados. Os pastéis foram produzidos no adjacente Mosteiro dos Jerónimos até 1834, quando todos os conventos em Portugal foram fechados e o clero expulso como consequência da revolução liberal. Para ganhar a vida, um monge empreendedor começou a vender os pastéis no bairro de Belém, encontrando clientes entre os visitantes do mosteiro. Alguns anos mais tarde, um certo Domingos Rafael Alves montou uma fábrica para aumentar a produção, de acordo com a “receita secreta” do convento. Ao longo do tempo, nomes bem conhecidos como Amália Rodrigues, Jorge Amado e Fernando Peça foram clientes regulares da pastelaria. Hoje em dia, o bairro tornou-se parte de Lisboa, mas a pastelaria anda lá está e a receita ainda é a mesma.
Fábrica das Enguias
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A primeira Fábrica de Enguias de Lisboa

Em 1942, quando a ria de Aveiro assistiu a um aumento drástico da população de enguias, com números muito acima da procura, uma família empreendedora inventou um processo para as conservar. A população de enguias acabou por diminuir, mas os portugueses já se tinham habituado a esta iguaria da Fábrica das Enguias. A família continuou a sua produção de conservas e, este ano, abriu a primeira loja em Lisboa. Por detrás da fachada inspirada nos desenhos Art Deco da sua lata tradicional, a equipa de Ana Godinho evangeliza locais e visitantes sobre as delícias secretas da enguia. “Desde que abrimos, temos organizado aulas de cozinha para mostrar o quanto são versáteis as enguias”, afirma. Ao tradicional acompanhamento com batata cozida juntam-se novas receitas como um risoto de enguias e legumes, tapas de enguias com doce de tomate ou um molho especial de enguias com cebola e pimento vermelho.
Manteigaria Silva
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Paragem obrigatória no Natal

“Sempre quis reunir em poucos metros quadrados o melhor da gastronomia portuguesa”, revela José Branco, que atingiu o seu objetivo com sucesso. Situada na baixa de Lisboa, esta meca gastronómica oferece queijo e frutos secos, salsichas e enchidos, vinhos e bacalhau, “Os alimentos mais genuínos e autênticos de Portugal”, afirma. A loja é um marco da cidade de Lisboa, uma paragem essencial antes do almoço de Natal. “Muitos netos vêm aqui comprar o que os avós compravam no passado”, diz José. A especialidade desta fabulosa loja, fundada em 1890, é o queijo da Serra da Estrela, que é curado com paciência e cuidado na própria loja.
Farmácia Morão Herdeiros
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Herança de serviço ao bairro

As três portas de madeira em arco e os magníficos azulejos que cobrem a fachada estão nesta esquina do bairro lisboeta da Graça há mais de um século. Em 1896, esta farmácia foi aberta pelo bisavô de Helena. “Somos uma loja de bairro, centrada nas necessidades dos nossos clientes”, afirma. O tempo e as modas passam, mas a missão, essa, continua a ser a mesma. A loja tem conseguido adaptar-se à evolução na saúde e na medicina, oferecendo produtos de dermocosmética, fitoterapia e homeopatia. O interior também foi adaptado aos tempos modernos, mas sem alterar a arquitetura original.
O que aprendemos.
Entrar nas lojas mais bonitas de Lisboa é uma forma diferente de descobrir a cidade. Aqui encontramos autenticidade, um espelho sobre como os grandes eventos da história foram transformados pelo engenho e criatividade portugueses. Os artesãos e comerciantes de Lisboa parecem trazer o sol da cidade dentro de si: estão sempre prontos para nos apertar a mão e dar-nos as boas-vindas. Não deixe de conhecer alguns deles quando visitar Lisboa.
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